Multinível x Pirâmide: conheça as diferenças

“Obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos”. Assim a Lei nº 1.521, assinada pelo presidente Getúlio Vargas em 1951, enquadra as pirâmides financeiras como um crime contra a economia popular. Fica assim claro que o golpe é velho conhecido das autoridades brasileiras, e o mesmo em vários países do mundo.

Em resumo, as pirâmides são esquemas cuja principal receita é a remuneração obtida pela indicação de novos membros, que pagam uma taxa de entrada. Geralmente promete ganhos rápidos e retornos altos para quem ingressa, mesmo que com investimentos iniciais baixos.

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Quase sempre é impossível verificar a qualidade ou eficácia do que é vendido, faltam informações em canais oficiais sobre o investimento e seus riscos, e também sobre a própria empresa que encabeça a atividade. Isso porque tudo depende quase que exclusivamente do recrutamento progressivo de outras pessoas – o que em algum momento alcançará um nível insustentável e a iminente quebra do esquema.

Sem um benefício final que sustente a rede de participantes, o dinheiro na pirâmide percorre a cadeia “de baixo para cima”, e o idealizador do golpe geralmente é o único que realmente ganha quando o esquema desmorona. As pessoas na base da pirâmide são as que mais sofrem quando não são mais capazes de recrutar outros seguidores, e portanto não são mais remuneradas.

Esses esquemas recebem os mais variados nomes, e já foram algumas vezes chamados de marketing multinível (MMN) – o que até hoje causa bastante confusão entre consumidores que compram ou querem se tornar revendedores de marcas que adotam esta modalidade de venda direta. Que, aliás, é lícita, ao contrário das pirâmides.

Mas, afinal, quais as principais diferenças entre o marketing multinível e as pirâmides financeiras? Quais características devem ser levadas em conta para distinguir ambos e não “entrar em uma fria”?

Questão de produto

Boa parte dos esquemas de pirâmide busca confundir os entrantes com as supostas similaridades com negócios autênticos. Mas, enquanto na pirâmide o indivíduo faz um único pagamento e espera receber benefícios de outras pessoas que recrutar, no MMN autêntico o aporte inicial é transformado em produtos para revenda.

Essa é a diferença fundamental: o MMN depende da revenda de produtos para sustentar a rede, enquanto a pirâmide depende do recrutamento contínuo.

“O marketing multinível usa, na grande maioria das vezes, a estrutura para criação de redes de consumo. O que o diferencia das pirâmides é que elas não entregam produto. Pirâmides fomentam um serviço digital, uma ação bancária, com altos rendimentos que não são sustentáveis”, explica Vagner Giraldino Junior, especialista em MMN da Gera. “Quando não se tem um produto, os órgãos reguladores começam a analisar.”

Segundo o especialista, as grandes receitas obtidas rapidamente pelas empresas de fachada que capitaneiam esses esquemas, apesar do mínimo patrimônio declarado, chamam a atenção de órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público. Além disso, começam a surgir denúncias de pessoas lesadas.

Para tentar se desvencilhar da má-fama, as empresas de MMN se esforçam para comprovar a qualidade de seus produtos, como forma de garantir às autoridades e sua rede de consumo que a principal fonte de receita não é o mero recrutamento. Isso ocorre não só por meio da entrega dessas mercadorias, mas também estreitando relacionamento com as lideranças da rede por meio de convenções e apresentando testes de qualidade do produto e dos fornecedores.

Além disso, reitera Giraldino, os planos de compensação das empresas de multinível passam bem longe da falsa promessa do dinheiro fácil. “Crescer no MMN dá muito trabalho, exige muita dedicação. O revendedor tem que ser um líder de pessoas, visitar clientes, fazer apresentações, duplicar informação, garantir entregas etc.”

Marketing Gera

Equipe formado por professionais em Marketing, Comunicação e Administração, especializados no setor de tecnologia e gestão comercial omnichannel, nos modelos da Venda Direta (Mono, Bi e Multinível) e Varejo em geral.